Todos nos lembramos das imagens de Ghandi, sentado em frente à sua roca e a fiar o tecido, corporizando o espírito indiano da indústria e independência.
A Índia já era, nessa época, um dos maiores produtores mundiais de algodão, mas Ghandi quis mostrar que este país tinha o potencial para subir mais alto na cadeia da indústria têxtil.A Índia viria a tornar-se independente em 1947, e actualmente esse simbolismo permanece na bandeira deste país, através da roda de fiar azul, bem adequada a uma nação que tem nos têxteis 30% das suas exportações totais.Em 2000, o número de habitantes da Índia atingiu os 1.000 milhões, tendo quadruplicado desde o início do século passado, e triplicado nos últimos 50 anos.Actualmente, a população indiana cresce ao impressionante ritmo de 2% por ano, o que equivale a mais 20 milhões de pessoas a cada ano que passa.Se esta taxa continuar, a Índia terá mais de 1,2 mil milhões de habitantes em 2015, tornando-se o país mais populoso do mundo e ultrapassando mesmo a China.Calcula-se que cerca de 30 milhões de pessoas trabalhem nesta indústria na Índia, que é de longe a maior empregadora neste país.Devido ao seu peso, o sector dos têxteis e vestuário vê a sua importância reconhecida pelas autoridades oficiais, cuja política virada para a exportação levou a encorajar o investimento e a apoiar as empresas a entrarem no mercado internacional, revelando um espírito mais competitivo, especialmente tendo em conta a incerteza no panorama pós-2005.Assim, o governo indiano aposta actualmente numa nova e ambiciosa política para os têxteis, iniciada há alguns anos através de um programa denominado TUF (Fundo de Aperfeiçoamento Têxtil), ao abrigo do qual foram investidos 5 mil milhões de libras na modernização da indústria têxtil, no sentido da maximização da sua capacidade como um grande têxtil exportador mundial.Em 2001, os produtos têxteis e de vestuário trouxeram à Índia mais de 13 mil milhões de dólares (3% do PIB do país).Contando com 9 milhões de hectares de campos de algodão, a Índia é um dos maiores produtores mundiais de algodão, superada apenas pela China e Estados Unidos, sendo o maior exportador de fio de algodão do mundo, com uma quota de mercado de 25%.No entanto, no que toca aos artigos de vestuário, a Índia ocupa apenas o 8º lugar entre os exportadores para a Europa, facto que leva muitos analistas a pensar que este país possui ainda um enorme potencial, especialmente após o fim do sistema de quotas, já em 2005.No seu conjunto, em 2001, 70% das exportações de têxteis indianas tiveram como destino a Europa e os Estados Unidos, sendo o mercado americano o maior comprador.Já as exportações de vestuário representam mais de metade das vendas de têxteis ao estrangeiro deste país, mas ainda assim os têxteis indianos representam uns escassos 2,8% no contexto do comércio internacional deste sector.A indústria têxtil da Índia depende fortemente da produção nacional de fibras naturais, como o algodão, a lã, a seda e a juta.Apesar disso, a produção de fibras manufacturadas tem vindo a crescer na Índia, nos últimos anos, embora estas representem apenas 25% dos fios produzidos no referido país.Graças aos seus abundantes e pouco dispendiosos recursos naturais, o algodão indiano é, em media, 25% mais barato nos mercados internacionais, e devido ao baixo custo e qualificação da sua mão-de-obra, a Índia possui importantes vantagens competitivas no panorama global dos têxteis.Estas vantagens competitivas têm sido desafiadas nos últimos anos pela ascensão da China, um problema que muitos outros países têm sido forçados a enfrentar.Não obstante esta ameaça, a acção do governo indiano tem sido, até há bem pouco tempo, lenta e com poucos efeitos num sector que é tão importante para o país.No passado, o governo concentrou os seus esforços nas PMEs, encorajando-as a manter os custos da mão-de-obra e das matérias-primas baixos, em vez de promover as suas práticas laborais e padrões de qualidade, de modo a aumentar a sua competitividade a nível internacional.Outra das características do sector têxtil indiano, e que tem afectado o seu desenvolvimento, é a presença de um sector paralelo, a funcionar em simultâneo com a indústria dita organizada, segundo a opinião de Virender Uppal, presidente do AEPC (Conselho da Promoção da Exportação de Vestuário).A Índia é o segundo maior fabricante de vestuário, superada apenas pela China, mas detém uma pequena quota do respectivo mercado mundial, estimada em 180 mil milhões de dólares.Como estão as empresas têxteis indianas a preparar-se para os desafios que se avizinham?E estará o governo deste país a apoiar de forma eficaz este estratégico sector?E os fabricantes indianos, serão capazes de enfrentar a feroz concorrência internacional?Estas questões serão abordadas na segunda parte desta interessante análise, a publicar brevemente pelo Portugal Têxtil.









