Com uma força de trabalho total de 146.000 pessoas, a indústria têxtil e do vestuário polaca é hoje, sem dúvida, um actor de peso no contexto europeu. Nos últimos quinze anos, este sector enfrentou dois grandes desafios, no referido país do Leste da Europa. Assim, a referida indústria suportou, após 1989, os efeitos da passagem da economia típica de um país socialista para uma economia de mercado, e desde o fim da década de 90, a ITV polaca tem sentido o impacto da forte quebra nas ordens de compra dos seus grandes clientes europeus, que preferem comprar estes produtos em nações como a Roménia, a Bulgária ou os estados bálticos. Em 1990, a indústria têxtil vivia, na Polónia, uma situação complexa, agravada pelo facto de uma grande parte dos seus trabalhadores se encontrarem ao serviço das empresas detidas pelo Estado, que entretanto davam os primeiros passos no sentido da privatização, e enfrentava ainda a séria ameaça dos seus clientes ocidentais preferirem a oferta dos seus mais directos concorrentes, quer na Europa, quer na Ásia. A maior parte das empresas têxteis da área do algodão (concentradas em Lodz) e dos lanifícios (em Bielsko Biala), apresentava um cenário desolador, pela fraca actividade e pelo envelhecido e degradado parque da maquinaria industrial. Aliás, entre 1989 e 1992, quando se realizaram neste país as primeiras eleições livres, a produção de fios de algodão e lã decresceu 57% (para as 127.800 toneladas), enquanto a de tecidos sofreu uma quebra de 64%, para os 360,4 milhões de metros quadrados. Desde então, a produção têxtil polaca não mais conseguiu recuperar destas perdas. Após uma modesta subida, entre 1996 e 2000 (de 1,8 para 2 mil milhões de euros), a referida produção entrou novamente em queda. No primeiro semestre de 2003, por exemplo, a produção de fio de algodão desceu 17,7% e a de tecido de algodão baixou 15,4%. Durante a primeira metade da década de 90, a descida na produção de têxteis foi em parte compensada pela expansão da indústria do vestuário. Como exemplo, em 1997, a produção de peças em tecido, que descera 28% entre 1989 e 1991, subiu até ultrapassar uns impressionantes 100 milhões de peças. Este relançamento da indústria do vestuário polaca foi igualmente aproveitado por diversos investidores estrangeiros, destacando-se nomes como a Coats, a Legler, a Levi Strauss e a Bianca Moden, entre os primeiros que investiram um valor superior ao milhão de euros neste país. Outro factor que contribuiu para este boom foi inquestionavelmente a guerra civil na Jugoslávia, que se desenrolou entre 1991 e 1995, que levou a que muitos clientes da Europa Ocidental, em especial da Alemanha, deslocassem as suas ordens de compra para as empresas polacas, levando a que este país conquistasse, em 1993, o primeiro lugar no ranking dos fornecedores europeus de vestuário da União Europeia. A indústria têxtil da Polónia tem-se assim revelado incapaz de corresponder eficazmente aos desafios cada vez mais sofisticados e exigentes da vertente do vestuário, tendo as suas importações deste género de produtos superado as exportações, há já alguns anos. Em 2002, as importações totais deste sector totalizavam 3,7 mil milhões de euros, enquanto as vendas ao estrangeiro não ultrapassavam os 2,9 mil milhões de euros.









