Depois de alguns anos mais direcionada para os têxteis-lar, a A. Ferreira & Filhos voltou ao certame francês, após uma interrupção motivada pela alteração da procura. «Já estivemos presentes há uns anos. Entretanto, o mercado começou a procurar outro tipo de artigo e nós respondemos e focámos nos têxteis-lar», tendo participado na Heimtextil, em Frankfurt, e na Market Week, em Nova Iorque, explica Miguel Ferreira, comercial da A. Ferreira & Filhos.
«Entretanto, depois de 2020, voltou a haver uma mudança e o vestuário começou a ter outro peso», acrescenta. O regresso à Première Vision teve como principal objetivo «angariar clientes», nas palavras de Miguel Ferreira. Já Valerie Doussineau, comercial da empresa, considera importante a presença na capital francesa para dar visibilidade à A. Ferreira & Filhos. «É sempre importante estar aqui porque Paris é Paris e também é uma forma de as pessoas nos conhecerem», sublinha.
Contudo, a empresa não pretende depender exclusivamente das feiras. «Nós também estamos a apostar mais em visitas aos clientes, a fazer viagens comerciais», detalha Miguel Ferreira, que identifica uma alteração na dinâmica dos certames, com «menos expositores e visitantes».
Em termos de atividade, o private label e a Wedoble representam, cada um, cerca de metade do negócio. «A marca tem crescido ao longo dos anos, mas nós tentamos que o private label se mantenha, porque a essência da A. Ferreira & Filhos é o private label. A marca é muito importante e permite-nos fazer outro tipo de desenvolvimento e outras capacidades», refere o comercial.
No private label, o foco está sobretudo no vestuário de adulto, com senhora a representar cerca de 80% deste segmento, e na tecnologia wholegarment, principalmente com lã, caxemira e algodão. «É uma tecnologia que nos permite chegar a um determinado tipo de cliente e também nos permite ser competitivos, não só em qualidade, mas também em preço», afirma Miguel Ferreira, acrescentando que é possível «fazer desde uma camisola até uma meia e uma bolsa».
Resultados e investimentos
Em 2025, a A. Ferreira & Filhos registou um volume de negócios de cerca de 5,5 milhões de euros, mantendo, sensivelmente, o nível de 2024. «Foi um ano difícil, mas conseguimos manter, portanto, o objetivo foi atingido», revela o comercial.
No primeiro semestre deste ano, a atividade manteve-se semelhante ao período homólogo de 2025. «O que notamos é que em termos de produção, de quantidade de peças produzidas, nós estamos com um valor igual ou superior ao do ano passado, mas os custos mudaram e isso também tem um impacto no mercado, que é difícil de gerir», avança Miguel Ferreira, apontando a subida dos preços da lã e a incerteza do contexto internacional como principais desafios. Para 2027, o objetivo definido é elevar a faturação para cerca de 5,8 milhões de euros.
As exportações representam 95% do negócio da empresa, que emprega 90 trabalhadores, tendo como principais mercados França, Itália e EUA, com o país francófono a assumir a maior fatia. A A. Ferreira & Filhos está atualmente a direcionar os recursos para a Escandinávia, depois de uma missão comercial na Noruega que resultou em novos clientes e encomendas em carteira.
Além da renovação de uma máquina de tricotagem durante este ano, a inteligência artificial é uma das áreas em que a A. Ferreira & Filhos está a investir. A tecnologia está a ser aplicada na gestão comercial e nos departamentos de design e marketing, tendo sido dada formação a todos os trabalhadores numa fase introdutória.
A empresa está também a estudar a aplicação de inteligência artificial na programação das máquinas de tricotagem. «Estamos a tentar descobrir, porque não é fácil. Mas está a haver uma aposta grande», conclui.











