Um pouco por todo o mundo, os mais importantes produtores de corantes e químicos têxteis procuram adaptar-se ao novo perfil da ITV, induzido pelas grandes mudanças sofridas quer em termos geográficos quer tecnológicos. Em perfeita sintonia com o acelerado crescimento da Ásia, e em especial da China, como principal região de produção têxtil, os fabricantes de corantes e produtos auxiliares estão a deslocalizar para aí importantes elementos das suas redes de produção e de apoio aos clientes. Ao mesmo tempo, as aplicações têxteis técnicas e de alta performance adquirem uma relevância crescente, à medida que as empresas químicas buscam áreas de acção mais rentáveis e exclusivas do que as massivas quantidades dos tradicionais segmentos de vestuário e têxteis-lar.
O impacto das diferentes condições do mercado actual tem obrigado a uma reorientação da política de I&D para produtos de maior valor acrescentado e de alta performance, assim como para a criação um clima de consolidação na indústria. Os grandes players mundiais efectuaram excelentes jogadas durante o último ano. A Dystar, com uma quota de mercado global de 20% nos corantes têxteis, adquiriu a Platinum Equity e expandiu as suas operações com a tomada da Yorkshire Americas nos corantes têxteis e da Rotta nos produtos auxiliares. A Ciba Specialty Chemicals, que está entre os maiores produtores de corantes e químicos, focalizou-se nos aspectos funcionais das suas gamas químicas através da sua recém-baptizada divisão Textile Effects. O grupo suíço usufrui de uma presença global, mas sofre uma dura concorrência nos segmentos mais baixos de mercado por parte dos fabricantes asiáticos e indianos, enquanto que no sector dos têxteis técnicos em paralelo com o vestuário de moda topo de gama é visto como oferecendo um grande potencial de crescimento no negócio têxtil de alto nível, onde a performance e a inovação são mais importantes que o preço. Segundo Matthias Foessel da Ciba, a empresa está decidida a «expandir a sua presença na Ásia, ao mesmo tempo que se mantém centrada nos mercados em crescimento na Europa e dos países da NAFTA, tais como os têxteis técnicos e a moda topo de gama». Novas aplicações e novos tipos de melhorias de desempenho nas aplicações existentes estão em constante desenvolvido na empresa suíça. «A definição de têxteis técnicos é cada vez mais ampla», afirma Foessel. «Os requisitos são muito específicos ou muito vastos, dependendo do produto final. Por isso, trabalhamos em estreita colaboração com os fabricantes para responder plenamente às suas necessidades». «Estamos a investir em segmentos chave dos têxteis técnicos como os transportes, protecção, casa e desporto. Nestas áreas, recorremos ao nosso portfolio de efeitos de acabamento e capacidades de solução para expandir adicionalmente as nossas competências e ser bem sucedidos neste segmento de mercado em pleno boom». Muita da I&D para estes produtos é realizada na unidade de Langwied, na Alemanha, com os maiores esforços centrados nos têxteis técnicos, vestuário e têxteis-lar. As equipas de investigação de Langwied trabalham, por exemplo, em cintos de segurança, airbags, vestuário de protecção, de desporto e de lazer. Propriedades como a estabilidade dimensional e a solidez à lavagem, o cuidado fácil e a resistência à chama, a repelência à água e ao óleo e o conforto ao uso estão nas luzes da ribalta, revelando-se tão importantes, se não mais, nos têxteis técnicos como nos têxteis tradicionais. Os últimos projectos resultaram no desenvolvimento dos retardadores de chama Flovan e Pyrovatim, assim como em revestimentos poliméricos para têxteis técnicos. A Ciba também oferece actualmente uma vasta gama de absorventes para a radiação ultra-violeta. Para a repelência ao óleo e à água e a libertação da sujidade, a gama Oleophobol é aplicável a tecidos de todo o tipo de composição de fibras e proporciona uma boa resistência à abrasão mecânica, quando aplicado em têxteis técnicos. A unidade de negócio de aditivos plásticos da Ciba lançou também um novo produto Irgatec CR 76 que melhora o desempenho dos não-tecidos aplicados em fraldas, higiene, limpeza e filtração. Este produto permite o uso de qualidades de polipropileno standard ou grânulos reciclados de restos de fibras para produzir não-tecidos meltblown que apresentam uma melhoria significativa nas suas propriedades mecânicas e de barreira aos líquidos em relação aos produtos existentes. O Irgatec CR 76 reduz a viscosidade da fusão, controlando assim a degradação do peso molecular do polipropileno durante a fiação. «O Irgatec CR 76 permite aumentar significativamente a qualidade dos não-tecidos de polipropileno, abrindo novas possibilidades aos produtores de não-tecidos meltblown, compósitos SMS (spunbond–meltblown–spunbond) e não-tecidos spunbond para o desenvolvimento de produtos e aplicações que a tecnologia disponível habitualmente não permitia». A crescente importância da Ásia teve impacto nos níveis de qualidade e de preços solicitados por alguns clientes. Deste modo, a Ciba decidiu lançar uma campanha conhecida como Projecto Forma para tratar muitos dos factores estruturais que influenciam o negócio têxtil, incluindo a optimização dos custos. Este plano leva também em conta a crescente procura chinesa em químicos têxteis com propriedades especiais e funções com base na performance. A BASF, outra das líderes globais em químicos têxteis, comercializa uma gama especial de revestimentos têxteis, sob a marca comercial Lurapret, para proteger os tecidos dos efeitos do tempo e das tensões mecânicas sem o uso de solventes. A Lurapret inclui uma gama de produtos à base de água, considerada como «uma alternativa compatível com o meio ambiente para proteger tecidos de algodão, poliéster e poliamida». A empresa apresenta um rol de aplicações em tecido técnicos incluindo tendas, guarda-sóis, guarda-chuvas e colchões. Estes podem ser expostos a condições severas, especialmente de humidade, vento, radiação ultra-violeta, calor e frio. A BASF pretende direccionar esta gama de produtos para o mercado dos revestimentos têxteis, que vale «centenas de milhões de euros», e dominado até ao momento por produtos com solventes orgânicos. A Clariant, o produtor número 1 em químicos têxteis e também um importante player nos corantes, tem consagrado recursos consideráveis ao desenvolvimento de gamas para têxteis técnicos. A empresa adianta que estes produtos são utilizados em sectores como «o automóvel, a aviação, a construção civil e a arquitectura». Segundo a Clariant, o crescimento destas aplicações resultou em novas procuras junto dos produtores de químicos têxteis com «um número de requisitos cada vez vasto» sustentado no facto de que o ênfase no campo dos têxteis técnicos «é menor na componente estática mas maior nas características funcionais. Novos desafios e campos de aplicação emergem quotidianamente». A Clariant sublinha ainda que o seu trabalho de desenvolvimento é baseado num serviço personalizado com uma clara orientação para o cliente, assim como na inovação do produto. Entre a oferta química da Clariant no campo dos têxteis técnicos encontram-se as dispersões Appretan; a gama de repelentes de óleo, água e sujidade Nuva; e a família de retardadores de chama Pekoflam. Esta oferta inclui ainda os poderosos agentes de ligação Cassurit para aplicação em não-tecidos, acabamentos têxteis e revestimentos. A multinacional alemã DyStar, líder mundial na produção de corantes têxteis, tem centrado algumas das suas actividades de investigação no desenvolvimento de corantes catiónicos para aplicação numa vasta gama de tecidos, incluindo os tecidos de fibras de meta-aramida para vestuário de protecção para bombeiros em condições extremas e pilotos de automóveis. Rainer Casaretto da DyStar declara que a reestruturada gama Astrazon da empresa é líder de mercado nesse campo, e capaz de oferecer «uma combinação de brilhantes tonalidades e excelentes propriedades de solidez» no exigente processo de tingimento de tecidos multifuncionais.Por fim, a Cognis, produtor de químicos criado em









