A China e o luxo

O consumo de artigos de luxo parece estar a passar ao lado da crise económica mundial. Se, para os fabricantes deste tipo de bens, esta afirmação não é universal e verdadeira, é-o pelo menos no mercado chinês. A crescente fatia de população chinesa rica e ávida pela moda ocidental parece imune à crise e compra cada vez mais malas, carteiras, relógios e jóias das principais marcas do segmento luxo. Segundo um estudo realizado pela empresa nova-iorquina Pao Principle, cerca de 90% da classe alta chinesa inquirida afirmou ter comprado, pelo menos, uma mala ou uma carteira de uma marca do segmento alto. Durante o mesmo período, cerca de dois terços dos homens e um terço das mulheres afirmaram ter adquirido um relógio do mesmo segmento, enquanto 30% dos inquiridos referiram ter adquirido, pelo menos, um produto na joalharia Tiffany. «A política do filho único criou uma geração de indivíduos mais centrados em si próprios e cujo principal objectivo é a diferenciação face aos outros», explica a Pao Principle em comunicado. «Com o objectivo de se distinguir por entre a multidão, este grupo sociológico vê nos artigos de luxo uma boa ajuda para o conseguir», acrescenta. O estímulo governamental chinês, que injectou 600 mil milhões de dólares na economia e facilitou o crédito através dos bancos do Estado, ajudou a economia chinesa a estar no bom caminho para atingir um crescimento de 8% em 2009, quando a maioria das grandes economias vai apresentar taxas de crescimento do PIB negativas. As medidas das autoridades chinesas ajudaram, assim, a contrariar a contracção do ritmo de crescimento das exportações e a suster a taxa de crescimento dos rendimentos da população chinesa, diminuindo ou até mesmo anulando o impacto da crise mundial na classe alta chinesa. Perante este cenário, e tendo em consideração o ritmo lento da retoma económica europeia e norte-americana, grande parte dos retalhistas e marcas de moda do segmento de luxo, onde se destaca o maior grupo mundial, a Louis Vuitton Moet Henessy (LVMH), vê o mercado como a sua alternativa de crescimento. Para este estudo, a Pao Principle, estabeleceu um painel de consumidores composto por 448 consumidores chineses da classe alta. Em termos de perfil sócio-demográfico, o painel é constituído predominantemente por mulheres de alto nível de instrução, com idades compreendidas entre os 20 e os 40 anos e detentoras de habitação própria.