47ª Expofil: uma melhoria para os fios

Depois de uma edição de Dezembro bastante melancólica devido ao difícil clima internacional, a 47ª edição de Expofil, que se desenrolou entre 4 e 6 de Junho no Parque de Exposições de Paris-Nord Villepinte, permitiu constatar um primeiro clarear na fileira têxtil internacional. Depois de um fim de ano particularmente difícil para o têxtil mundial e um início de ano 2002 um tanto caótico, observou-se de facto um início de retoma da actividade, que parece indicar que se a fileira ainda não reencontrou todo o seu dinamismo, ela está contudo no bom caminho. Assim, os resultados deste salão (6.211 visitantes) traduzem esta evolução, com uma aumento de 6,6% em relação a Dezembro último e um recuo de 10% em relação a Junho de 2001. Os visitantes franceses (3.022, ou seja 49 % das entradas) caíram 7 % em relação a Junho de 2001, mas subiram 10% em relação a Dezembro passado. Por seu lado, os visitantes internacionais (3.189), provenientes de 70 países, ganharam terreno em relação a Dezembro (51 % dos visitantes contra 42 %) e mantêm-se em relação a Junho último. O salão sofreu uma erosão em certos mercados europeus. Os feriados do Jubileu na Grã-Bretanha afectaram as visitas deste país (366 visitantes britânicos, menos 12% em relação a Junho 2001, mas mais 17% em relação a Dezembro), assim como a greve surpresa dos controladores aéreos na Itália (440 visitantes, menos 12% em relação a Junho 2001 e mais 19% em comparação com Dezembro). A Alemanha com 323 visitantes aumentou 12% em relação a Dezembro de 2001, tendo descido em Junho de 2002 (menos 29%). Entre os outros países europeus, Portugal teve uma boa performance (115 visitantes, mais 7% do que em Junho do ano passado e mais 25% que em Dezembro), a Suécia cresceu 35% e os Países Baixos mantiveram-se estáveis. A Europa de Leste no seu conjunto registou um aumento de 21% em relação a Junho último, com bons resultados para a Polónia, que confirma assim a sua posição de primeiro país visitante da região (mais 35%), seguida da Eslovénia que duplicou o número de visitantes e da República Checa (com mais 50 %). A zona asiática conheceu uma progressão considerável, com as visitas do Japão (71 visitantes contra 55 em Junho de 2001), da China (70 visitantes contra 34 em Junho de 2001) e a estabilidade da Coreia (41 visitantes). Os visitantes americanos (91) estão ainda em retracção em relação a Junho do ano transacto (menos 33%), mas iniciaram uma espectacular subida relativamente a Dezembro passado, quando esta feira acolheu apenas 23 visitantes. Ainda profundamente marcados pela crise, os países da América Latina estão em queda (menos 42 % para o Brasil, primeiro país visitante da zona, em relação a Junho de 2001, mas mais 73 % em relação a Dezembro e menos 34 % para Argentina). No que respeita aos expositores, «a internacionalização do salão é um sucesso em todos os planos», regozijou-se Philippe Pasquet, director geral da Expofil. «Actualmente temos expositores de 18 países e constatamos com prazer que criámos concorrentes nesta área, dentro da nossa abordagem muito selectiva» conclui este responsável. Japoneses, turcos, peruanos, de Hong Kong ou da Bulgária, os expositores selecionados desde a abertura em Junho de 2001 integraram-se sem problemas no evento, ao qual vieram trazer uma nova dimensão. O director geral do salão insistiu em sublinhar que Expofil persegue a sua política de abertura ao longo das próximas sessões, sempre de forma controlada e selectiva. No top das tendências para o Outono-Inverno 2003/2004, orientado pelo signo da «independência», os aspectos naturais ocupam sempre o primeiro lugar. A doçura, a leveza e volume estiveram na ordem do dia na maioria das colecções e a directora de moda da Expofil, Sylvie Tastemain, apreciou especialmente os esforços dispendidos pelos fiadores em dar um toque fluído e leve aos seus produtos. «Os tratamentos dão às lãs cardadas a mesma leveza que às lãs penteadas», explica ela. A cor assume assim uma grande importância nas novas colecções. Cada estação, o Fórum Projecção Fibras destaca a inovação em matéria de fibras através de peças de vestuário concebidas por um criador de moda. Convidado da 47ª edição de Exofil, Jean Touitou, trabalhou segundo o tema «Arte e Indústria», simbolizado por um enorme pipeline em betão neste espaço muito sóbrio. Através deste tema, este criador visou reconciliar o desejo de produtos estéticos e personalizados com o gosto por matérias, marca de uma realidade com as exigências de conforto e funcionalidade e os imperativos ligados a uma produção industrial. Microfibras e materiais naturais foram desta forma tratados para dar flexibilidade e fluidez a fatos, saias e casacos de linhas direitas e «clean». Quanto às malhas, integralmente tricotadas, o processo «stonewash» confere-lhes uma aparência de vestuário já usado. Para a sua terceira edição, o Fórum Mobiliário apresentou tecidos exclusivos cuja qualidade reuniu todos os elogios. O tema da estação «Artesanato e Indústria» punha como princípio de base a associação da mão e da máquina na produção. Para a equipa de moda da Expofil, que coordenou o trabalho dos fiadores, tecelões, tricotadores e enobrecedores, «Não se trata de imitar através da máquina os produtos feitos à mão, mas sim criar objectos ou tecidos que poderão ser manufacturados, utilizando um savoir-faire artesanal». «Brocatelle» com aspecto de cartão ondualdo, tule com aspecto de papel vegetal amarrotado, tule em «marquisette» com plissados «origami», riscas coloridas estilo Kilim para uma malha feltruda e alisada, entre outras, exibindo a sua fantasia no meio de objectos de design reinterpretados, tão familiares como um cesto realizado a partir de tubos plásticos, lampâdas de papel, um posto de rádio sofisticado numa simples caixa de madeira estiveram patentes neste espaço. A Expofil, que se define como um salão de tendências e serviços, deseja desde há muito tempo, abordar sob um outro ângulo a informação dada aos visitantes e aos expositores. É dentro deste espírito que foi lançada nesta edição uma série de eventos paralelos, que animaram o certame. Os dois encontros «Au fil des livres» reuniram uma audiência atenta e apaixonada em volta de Dominique Cuvillier para o tema «Les femmes sont-elles solubles dans la mode?» e de Sophie Bramel para «Le génie du pli permanent», um livro sobre a história das fibras e o seu marketing. O seminário organizado conjuntamente pelo Comité Francês da Cor e a Expofil, sobre a mundialização da cor, suscitou um vivo interesse, atraindo cerca de duas centenas de participantes. Para a edição de Dezembro, a Expofil vai associar-se com o Japan Textile Contest (concurso têxtil japonês), uma reputada competição internacional, organizada na região têxtil de Ichinomyia e dirigida para a criação de tecidos. Um prémio especial Expofil será igualmente atribuído a uma proposta que apresente traços e matérias particularmente interessantes e as melhores amostras estarão também presentes no próximo salão. A «Fil Event», o novo salão de antevisão para os fios para tecelagem e malha circular lançado pela Expofil em colaboração com a Première Vision e cuja primeira edição terá lugar em Paris Nord Villepinte nos dias 20 e 21 de Setembro próximo, está a suscitar uma grande expectativa por parte dos tecelões expositores da Première Vision. Segundo uma série de entrevistas feitas junto de uma amostra representativa dos diferentes sectores da Première Vision, uma grande maioria dos expositores vê nesta nova iniciativa uma oportunidade única de optimizar a presença das suas equipas no salão e lançar as suas novas propostas em condições favoráveis. São esperados cerca de 60 expositores, estando já inscritos desde início de Junho 30, todos eles reconhecidos especialistas nos seus respectivos sectores. O outro salão do grupo Expofil, o «Yarn Fair Interna