2C2T: Parceiro na inovação industrial

O Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil ainda está a recolher os louros plantados em 2005, mas prepara já as invenções que prometem revolucionar os anos vindouros. O director desta unidade de I&D da Universidade do Minho, Fernando Ferreira, em entrevista ao Jornal Têxtil, equaciona o passado recente e abre a porta a um novo futuro. Jornal Têxtil (JT) – Como é que o 2C2T encara a sua missão de líder impulsionador da inovação na ITV portuguesa, de forma a promover a sua contínua viabilidade e competitividade no mercado global? Fernando Ferreira (FF) – Focalizando a nossa acção no desenvolvimento de soluções inovadoras em áreas estratégicas e emergentes que abrangem toda a fileira têxtil, tais como o desenvolvimento de novos materiais e produtos; a inovação e desenvolvimento de processos de produção flexíveis e inteligentes; o desenvolvimento de tecnologias de suporte ao desenvolvimento de novos materiais e processos; e o desenvolvimento de novas metodologias de gestão, design e marketing de produtos. E assegurando a utilização das soluções desenvolvidas através da transferência de tecnologia e conhecimento. JT – De que forma actua o 2C2T nessas 4 áreas prioritárias? FF – Na área da inovação de materiais/produtos, os projectos de investigação são orientados para a concepção e desenvolvimento de têxteis funcionais/multifuncionais (têxteis inteligentes) reactivos (têxteis bio-funcionais), activos (têxteis auto-reguladores) e interactivos (têxteis electrónicos) destinados às seguintes sectores prioritários: protecção, segurança e saúde ocupacional; automóvel; construção civil; aplicações médicas e hospitalares; e inclusão social Na área da inovação e desenvolvimento de processos de produção flexíveis e inteligentes, os projectos estão actualmente focalizados nos sectores da tricotagem e costura, tendo sido desenvolvidos dispositivos de monitorização e controlo em tempo real do processo que permitirão aumentar a qualidade e produtividade destes sectores. Na área das tecnologias de suporte ao desenvolvimento de novos materiais e processos, os projectos estão actualmente orientados para tecnologias que permitem avaliar ou melhorar a qualidade e propriedades dos materiais/produtos, bem como auxiliar na concepção e desenvolvimento de novos produtos. Na área do desenvolvimento de novas metodologias de gestão, design e marketing, os projectos estão essencialmente orientados para métodos e sistemas integrados de criação de novos produtos de alto valor acrescentado e concepção de novas marcas de mercado diferenciadas pela inovação no design, nos materiais, nas tecnologias de fabricação e nos processos de gestão da cadeia de valor têxtil e do vestuário (concepção/produção/distribuição/comercialização) no mercado globalizado. Refira-se que a grande maioria dos projectos é desenvolvida em parceria com empresas e outras instituições de I&D, envolvendo equipas multidisciplinares, quer nacionais quer estrangeiras. JT – Entre as diferentes iniciativas levadas a cabo pelo Centro ao longo do ano que acaba de findar, qual destacaria? FF – O ano de 2005 ficou sobretudo marcado por uma forte aposta na divulgação das actividades do 2C2T não só junto dos players da ITV mas também do público em geral, nomeadamente através da presença em importantes feiras e eventos nacionais e internacionais (Modtíssimo, Be Happy, Techtextil/ Avantex; A+A 2005), em numerosas entrevistas e artigos da imprensa generalista e especializada (Portugal Têxtil, Jornal Têxtil, Expresso, Comércio de Guimarães, Público, Jornal de Notícias,…) e em programas de divulgação científica na televisão (RTP2-Iniciativa). JT – Essa aposta teve já algum resultado visível? FF – Os resultados desse esforço de divulgação podem já ser quantificados a 2 níveis. Por um lado, é uma contribuição para o claro up-grade da imagem da ITV junto do grande público, na sequência do crescente interesse da imprensa nacional generalista na divulgação de projectos inovadores realizados no 2C2T, como contraponto com as notícias de falências e despedimentos no sector. Por outro lado, este esforço de divulgação tem aguçado a curiosidade das empresas, resultando já em contactos múltiplos e alguns acordos de cooperação. JT – Com se tem concretizado essa cooperação entre o 2C2T e as empresas? FF – Essa cooperação tem sido desenvolvida em vários domínios, com formatos diversos, mas sempre orientados para as solicitações das empresas, e traduzem-se num conjunto significativo de parcerias. Por exemplo, no caso de projectos no âmbito da tecnologia de microencapsulação, participam empresas como a Têxteis Domingos Almeida, A. Sampaio e Aquacolor. No domínio do vestuário desportivo de alto desempenho estamos a desenvolver uma parceria com a Organtex. O desenvolvimento de sensores têxteis para dispositivos médicos integra a Fapomed. Ou ainda o desenvolvimento de um fato de bombeiro é realizado em parceria com a ICC. Todos estes projectos se inserem nas áreas estratégicas dos 2C2T, que estão por sua vez orientadas para as áreas emergentes na fileira têxtil que acima referi. JT – Com se projecta o Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil no futuro? FF – O futuro do 2C2T passará certamente por uma forte aposta nessas áreas emergentes, assim como num relacionamento mais estreito com as empresas e com as instituições nacionais e internacionais ligadas ao sector têxtil e do vestuário. Em 2006 há, em particular, um grande envolvimento nos trabalhos da Plataforma Tecnológica Europeia de Têxtil e Vestuário, onde se pretende definir as orientações estratégicas para o futuro do sector à escala europeia. O esforço em termos de divulgação será continuado, e esperamos que se traduza na participação nos eventos nacionais e internacionais mais orientados para a inovação têxtil. Em paralelo, continuaremos com um forte empenhamento na participação em eventos científicos e projectos de I&D nacionais e internacionais, mas essa é já uma imagem de marca do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil.