Depois da estreia em outubro (ver Coliseu ao rubro), as propostas ultra-femininas de Elsa Barreto voltaram ao calendário do Portugal Fashion. «[Na estação passada] tive que fazer a coleção num mês. Por isso, foi um pouco mais complicado em termos de timing e de nervos. Esta coleção já foi muito mais pensada, por isso mesmo é que são 50 coordenados», analisa a criadora ao Portugal Têxtil, sublinhando a tarefa acrescida de ter havido necessidade de desenvolver «muito mais peças», sendo uma coleção para a estação fria. «Claro que a primeira me deu muito prazer, mas esta já foi mais madura», esclarece.
A maturidade de “Drama” foi escrita em pormenores como rendas e pelos, numa narrativa que dedicou vários dos seus capítulos à sensualidade feminina. A coleção contou-se, depois, eclética, em coordenados que transitavam entre os vários cenários de atuação da mulher Elsa Barreto.
«Nas minhas coleções, gosto sempre que as minhas clientes possam olhar para a coleção e pensar que a podem usar em qualquer situação. No dia-a-dia, em festas, numa situação mais arrojada ou menos arrojada», explica a designer salientando a expressão comercial das peças. «Penso sempre na coleção de uma forma comercial. Claro que um desfile é um espetáculo – o tema desta coleção é “Drama” e fui buscar a sua parte cénica ao teatro – mas sempre a pensar na parte comercial. Sem isso não vivemos», advoga.
A apresentação de “Drama”, que contou com a presença da modelo Diana Pereira, destacou a riqueza dos materiais e texturas dos coordenados – com tónica nos vestidos e casacos –, que se balançavam entre o fluido e o estruturado e o fit largo e justo numa paleta arrebatada pelo rosa e pelo preto. «Esta coleção é muito rica. Tem imensos materiais, é uma pesquisa muito grande e isso é a parte cénica da coleção», resume Elsa Barreto, sublinhando que quer a criação, quer a modelação estão sob a sua alçada e que, por isso, «a pesquisa e a compra dos tecidos são sempre muito bem pensadas». Desta vez a escolha recaiu nos pelos e nas rendas, nas fazendas e nos jacquards.
Perto de completar três décadas na indústria – depois de terminar os estudos, a criadora começou por trabalhar numa empresa antes de lançar a marca epónima –, Elsa Barreto justifica a sua capacidade de reinvenção com a paixão pela moda, que ainda «lhe deixa borboletas no estômago», confessa. «É quase como uma primeira vez. Criar é tão bom, que eu não consigo ver-me de outra forma. Quando começo uma coleção estou sempre com a mesma garra, com os mesmos nervos miudinhos», considera.
Os planos para o futuro passam pela internacionalização da marca. «Isso é fundamental», admite. «Já tenho muitas lojas em Portugal que compram Elsa Barreto, já está no país inteiro, mas eu preciso de ir lá para fora e isso é agora», revela ao Portugal Têxtil.










