2009 mais vulnerável

As marcas da grande distribuição são as mais vulneráveis à conjuntura económica e deverão ser as mais afectadas em 2009, em comparação com os grupos de venda de produtos alimentares, de turismo ou de tabaco. Num estudo do consumo em 2009, a agência de avaliação financeira Fitch sublinha que a grande distribuição «surge como a mais vulnerável ao abrandamento económico, sobretudo o sector não-alimentar, que é por natureza o mais cíclico e menos diversificado geograficamente». As marcas de produtos alimentares de preços baixos deverão, em contrapartida, ser as menos afectadas pela crise, de acordo com a Fitch, que prevê uma guerra de preços em 2009 que baixará as margens das empresas de distribuição. Por enquanto, a Fitch mantém as suas previsões sobre os grupos britânicos Tesco e Sainsbury, o alemão Metro e os franceses Carrefour e Casino, mas poderá baixar as da Marks&Spencer, da Kingfisher e da DSG International. O sector hoteleiro estará igualmente sob pressão, após um pico de actividade em 2008. Este ano, os operadores de gama alta serão os mais afectados, nomeadamente devido à diminuição das viagens profissionais mas também à manutenção de um euro forte, que constrange os turistas provenientes dos países fora da zona euro. As previsões Fitch para o grupo francês Accor e para a britânica Whitbread não deverão, contudo, mudar. Os grandes grupos agro-alimentares deverão ser os mais poupados este ano, já que a maior parte tem actividades diversificadas, tanto em termos de produtos como de zonas geográficas. A baixa de preços das matérias-primas agrícolas nos últimos meses, depois de um aumento no final de 2007 e no princípio de 2008, irá contribuir para compensar o abrandamento no consumo de produtos alimentares das grandes marcas. No entanto, as margens e os volumes vendidos deverão ser menores para este ano. As previsões da Fitch para os grupos Nestlé, Unilever e Cadbury mantêm-se, por isso, estáveis. A indústria do tabaco deverá também resistir, devido à sua «capacidade de promover as marcas de gama alta nos mercados onde os rendimentos disponíveis aumentam, assim como de tirar vantagem do aumento dos preços nos mercados maduros». A Fitch sublinha, contudo, que o consumo de tabaco está a baixar a um ritmo de 1% a 3% na Europa Ocidental todos os anos, devido ao aumento das taxas sobre os cigarros, às campanhas de sensibilização e à interdição de fumar em locais públicos. As previsões para a British American Tobacco deverão manter-se estáveis, enquanto que as da Philip Morris e as da Imperial Tobacco poderão cair.