2006 será melhor que 2005?

As dificuldades sentidas pela Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV) nacional durante o primeiro ano da liberalização dos mercados internacionais não condicionaram decisivamente a avaliação dos empresários da indústria face ao que passou. Esta é a principal conclusão do Inquérito Anual de Conjuntura elaborado pelo Observatório Têxtil do CENESTAP aos agentes que operam neste mercado. A avaliação global das respostas aponta para a manutenção das condições vigentes em 2004, em termos médios os inquiridos avaliaram todas as variáveis com nível 3 – que caracteriza 2005 como igual ao ano precedente. Merece referência a evolução positiva do emprego de pessoal afecto a funções não produtivas evidenciando sinais claros de aposta em técnicos para áreas mais qualificadas. Com efeito, de acordo com os dados recolhidos pelo Observatório Têxtil do CENESTAP, 85,1% das empresas afirma ter mantido ou aumentado o número de efectivos não directamente ligados à produção. Pela negativa distingue-se a percepção dos inquiridos relativamente à evolução da margem comercial. Este resultado não surpreende num cenário de liberalização de mercados e de aumento da concorrência pelo preço sobretudo por parte dos artigos asiáticos. Neste contexto, a média de respostas situou-se nos 2,3 pontos, com 61,9% dos inquiridos a avaliarem este indicador como pior do que em 2004. Foi o sector do vestuário o mais afectado pela contracção das margens comerciais. De facto, o aumento da concorrência dos fornecedores asiáticos (China, Índia e Paquistão) ditaram uma queda nas margens de mais de metade das empresas (57,9%) de vestuário inquiridas. Por fim é visível algum optimismo face à evolução da actividade em 2006, já que 71,4% dos inquiridos estima que 2006 será melhor ou igual que 2005. Todavia, a análise desagregada por sectores demonstra que são os empresários da confecção malha e tecido que se mostraram mais reticentes relativamente ao ano que decorre. Este resultado não surpreende uma vez que sendo este um sector maioritariamente exportador, é também o mais afectado pelo desenrolar dos acontecimentos a nível internacional.