10 vias para o aprovisionamento – Parte 1

Uma boa estratégia de aprovisionamento deve estar em evolução constante, adaptando-se de acordo com a evolução dos mercados, a concorrência, os custos, os riscos e as oportunidades. As suas bases devem estar em sintonia com os objectivos gerais da empresa e o posicionamento da marca, e este aspecto nunca foi tão crítico como durante o ano transacto, para aumentar o volume de negócios. Este foi o conselho dado aos responsáveis pelo aprovisionamento por Sue Butler, directora sénior da Kurt Salmon Associates (KSA), num seminário que decorreu em Londres em Novembro último, subordinado ao tema “’Global Sourcing Skills and Supply Chains”. Até recentemente, o foco principal da subcontratação foi no sentido do mix de produtos importados, para assim aumentar as margens, como explicou Butler. Mas os retalhistas mais avançados «estão agora a concentrar-se no próximo nível de custos: cortar os gastos nos gabinetes de compras, optimizar a combinação de países de origem e normalizar os processos e os tecidos/materiais», acrescentou a responsável. E, talvez inesperadamente, o melhor aprovisionamento não passa simplesmente por comprar a um preço inferior. De acordo com Sue Butler, as principais considerações que devem ser ponderadas numa estratégia de aprovisionamento são: 1. Mudanças no mercado de retalho, incluindo a polarização do mercado de acordo com o preço e as marcas (por exemplo, o crescimento do mercado de valor), o aumento da concorrência, a queda das margens e a procura dos consumidores por novidades. 2. Posicionamento da marca, quer esta esteja focalizada na moda, na qualidade ou no custo ou, como é mais provável, numa combinação destes três elementos. • Uma focalização na moda será conduzida pela necessidade de inovação e de I&D, de ciclo rápido, um processo de planeamento eficaz e uma relação com o fornecedor focalizada na inovação. • Uma focalização na qualidade será impulsionada por I&D, inovação tecnológica, tecidos e controlo de qualidade. • Uma focalização no custo exigirá uma gestão rigorosa dos caminhos críticos para evitar custos adicionais, eficiência de produção, desenvolvimento de designs para orçamentos apertados e visibilidade de todas as informações ao longo de toda a cadeia de aprovisionamento. 3. Os factores de custo. Ao decidir onde aprovisionar, um modelo de custos adequado irá ajudar na comparação dos fornecedores e dos países de origem. Os custos a considerar incluem a procura de fornecedores, a amostragem, os custos de produção, os custos de matérias-primas, logística, direitos aduaneiros, controlo de qualidade, eliminação e “retrabalho”, perda de vendas (devido a problemas de qualidade ou de entrega) e promoções. 4. Factores extra-custo. Uma focalização no custo não deve resultar na exclusão dos elementos extra-custo. Estes incluem o conhecimento local sobre um produto específico (como a lingerie), disponibilidade de matérias-primas, suficiente capacidade de produção, normas éticas e sociais, riscos geopolíticos e qualidade. Os factores risco e extra-custo devem ser avaliados com base na relação custo/benefício da mudança para qualquer região. Na segunda parte deste artigo, analisam-se as restantes seis vias para o desenvolvimento do aprovisionamento.